sexta-feira, março 21, 2025
Movimento da criação
quinta-feira, março 20, 2025
Poesia e melodia
quarta-feira, março 19, 2025
Contemporânea
terça-feira, março 18, 2025
O ciclo
Do real, sopra uma brisa quente do verão das sensações.
As imagens que se desenrolam na memória misturam-se a devaneios de um tempo que não aconteceu.
Lembro-me de ter tanto a dizer; hoje, predomina o silêncio diante do tempo passado, atual e vindouro.
A luminosidade do dia, que se altera com o movimento orbital da Terra, acompanha a rotação da consciência em torno do inconsciente, trazendo luz aos pensamentos e sentimentos que vêm à tona.
Tudo isso parece dizer do que sou feita: o alicerce sobre o qual se ergueu o castelo de cartas do que sou ou penso ser.
Estou eu fadada ao movimento cíclico a que todos os corpos celestes estão sujeitos, cujos padrões regulares de deslocamento no espaço seguem incessantes pela eternidade?
Por trás das “loucuras” de que acusam os livres, escondem-se as mais cruas verdades. Abrace o mistério e siga escrevendo.
segunda-feira, março 17, 2025
Ajuste sua bússola
Experimente desviar o olhar que busca lá fora um sentido para o que sente dentro de você e, simplesmente, abrir os olhos para enxergar a situação em si mesmo, a partir do seu espaço interior. Então, você começará a se questionar sobre a tendência "natural" de seus pensamentos ao pessimismo, à sensação de vazio diante das coisas que não dão certo.
Seguindo esse raciocínio, você
ajustará sua bússola interna rumo ao verdadeiro sentido que o move: o espaço de
si mesmo. Se as velas de sua nau forem posicionadas e impulsionadas pelo vento
interno, o caminho se revelará em propósito. Isso não significa que tempestades
não serão enfrentadas, pois, assim como o bom tempo, elas fazem parte da vida e
do existir.
sexta-feira, março 14, 2025
O verbo
Desvia meus olhos da ilusão do olhar, mira-os na profundidade do verbo ver, para que eu possa enxergar.
quarta-feira, março 12, 2025
Travessia à espreita da morte e das sombras
Do alto de sua insignificância, ele caminha a passos largos,
eternamente ameaçado,
armado até os dentes,
infinitamente inseguro.
Acredita-se à frente,
como se soubesse o amanhã.
O ego.
A persona.
Espelho convexo, projetando para o exterior imagens virtuais e distorcidas.
Mente ácida, de efeito corrosivo sobre sua superfície, sobre
sua realidade.
Sua rota bélica lhe impõe um destino inevitável:
o confronto com Ele, o desconhecido.
O ego, sob a sola do sapato que o esmaga contra o cimento da
realidade, agoniza.
Sob o peso de sua miséria, tal qual um inseto pisado,
levanta em vão uma questão que parece espremê-lo ainda mais contra a dureza do
chão que o suporta e o sufoca:
De quem são os pés que lhe impõem a verdade, que lhe extraem
o sangue e o último suspiro de morte?
terça-feira, março 11, 2025
Legado
Que a memória de meus antepassados seja honrada através dos tempos. Que todas as gerações sejam abençoadas, com gratidão, pela história que ajudaram a construir.
domingo, março 09, 2025
Raízes antes de Marés
revolve a tua terra,
passa o arado,
planta a semente
e só então deságua no oceano de outras almas.
sexta-feira, março 07, 2025
Esboço de mim
O ego é isso: um esboço, uma ilusão.
Vou me dobrando para me adaptar.
Autotransformação dói.
Me rasgo, me curvo.
Me reconfiguro, me reconstruo.
Realizo mais um voo em direção a mim mesma. Expurgo demônios.
segunda-feira, março 03, 2025
Escrever
Escrever não é um monólogo, mas um diálogo com todos aqueles que já abracei, de quem me despedi, com quem me reencontrei e por quem me encantei.
Eles e eu, que me afirmo sendo um, somos mais que uma unidade; somos um coletivo de meus próprios eus espalhados pelo tempo e espaço.
Travamos longas discussões sobre o que se foi, tecendo comentários parciais sobre o passado, prevendo cenários do futuro e entretendo-nos com curiosidades superficiais.
Nós, como infinitos personagens que somos, gargalhamos das histórias narradas diante do espelho da vida.
O mundo aqui dentro é vasto e rico, muito além do mundo exterior, que costumamos priorizar além da conta.
domingo, março 02, 2025
Nos bastidores: o desconhecido
A arquitetura reta, linear e estática do mundo material me parece um tanto opressora. A solidez das coisas me escapa a cada piscar de olhos, quando a escuridão do movimento ocular se sobrepõe à tela anterior, redesenhando-a ao abrir das pálpebras.
Eu, que concentrada ocupo um
corpo denso, sinto-me deslocada e fora de contexto nesse plano tridimensional,
vasto e, ao mesmo tempo, estreito. Em meu interior, percebo que algo se passa
nos bastidores, oculto à minha consciência. Sua presença se faz notar por um
movimento rápido — como o de uma sombra passando pelo canto do olho —, uma
forma indefinível, além de um borrão escuro que me acompanha ao longo dos meus
movimentos. Um fantasma de mim mesma, uma inteligência fora dos meus domínios.
sábado, março 01, 2025
Carnaval
O nosso carnaval tornou-se a beleza da alegria forjada, desfilando nas redes sociais. Ele é o samba da superficialidade das relações humanas, a busca incessante por uma plateia que aplauda nosso mergulho em uma piscina rasa de aparências. O que se faz e o que se permite ser não ultrapassa a régua dos olhares e opinião pública.
O carnaval, fantasiado e
transfigurado, não questiona as máscaras sociais; ao contrário, convida ao seu
uso: a satisfação simulada da exposição nas redes. Os papéis desempenhados pelas pessoas estão sempre à procura
de uma audiência. O que se é quando ninguém vê perdeu a importância em um mundo
regido pelo senso geral.
Do contentamento no sentimento
coletivo dessa festa, restou apenas uma satisfação moldada pela exibição de
retratos ilusórios.
sexta-feira, fevereiro 28, 2025
Paixão
Apagarei os fogos de artifício e acenderei as velas da paixão...
A paixão não se resume ao sentido
estrito do relacionamento amoroso; ela se estende ao encantamento por algo que
nos move por inteiro rumo ao nosso mundo interior dos sentidos.
Em meio a todo o ruído em que
estamos envoltos, ainda assim, figura a arte — na música, na arquitetura das
edificações, nas palavras impressas — que atrai o olhar de quem está afinado
com a beleza genuína da criatividade e que nos imputa inúmeras paixões.
terça-feira, fevereiro 25, 2025
Luto
O luto nos apresenta a imaterialidade do amor. Essa característica etérea, inerente ao amor, dói em nosso coração feito de carne, acostumado ao toque da pele, à sede e à fome de nossa dimensão de sentidos.
sexta-feira, fevereiro 21, 2025
Amor
Esse desarme que o amor causa, um baixar de guarda, um suspiro que eleva o peito, cheio do mais puro elemento da vida, que escapa devagarinho dos pulmões, nos deixa completamente entregues às venturas e desventuras de amar aquilo que nos faz vibrar, deixando-nos conduzir como em uma dança, uma valsa etérea do coração.
Esse movimento de ir e vir, bombeado pelo coração, inspirado
pela inalação do ar, da vida, é um milagre singelo do que nos escapa e nos
detém. E então, finalmente, chegamos ao amor genuíno, destino que não podemos conter.
sexta-feira, fevereiro 14, 2025
Diário
Hoje irei enumerar algumas tarefas difíceis de realizar, mas extremamente necessárias para meu crescimento e desenvolvimento como ser humano:
1. Lançar no grande vácuo as palavras que reverberam em minha mente. Como sementes, elas podem não atingir nenhum solo fértil nem germinar, mas, se não forem lançadas, jamais brotarão. Que essa semente, então, seja lançada nesse grande nada, pela mera ação em oposição à inação.
2. Oferecer aos outros e a mim mesma tudo aquilo que gostaria de receber. Mesmo que jamais receba algo de quem quer que seja, terei a mim para me oferecer suporte.
3. Tornar-me instrumento daquilo que desejo ver no mundo. Do outro, não espero nada; de mim, espero tudo.
4. Lançar uma pequena pedra no oceano. Ela pode não provocar um tsunami que arrebente na praia, mas formará ao menos pequenas ondulações na superfície da água ao romper sua camada superior.
5. Continuar agindo e acreditando no meu crescimento, mesmo sem enxergar resultados. O fato de não ver não significa que não exista. Persista.
6. Falar sozinho, mas falar. Palavras não ditas se acumulam como poeira na alma. Que saiam, nem que sejam apenas para preencher o silêncio.
quarta-feira, fevereiro 12, 2025
Mentes férteis
Onde está o pensamento crítico?
A forma como a tecnologia vem sendo utilizada, com estímulos excessivos, tem causado impacto nas pessoas e, principalmente, nas crianças em processo de formação. A arquitetura psíquica está sendo remodelada com grandes lapsos, o que é preocupante. Não se questionar é calar a própria voz e em silêncio seguir o fluxo das massas.
Esses são questionamentos e reflexões desenvolvidos através das interações que tenho com mentes críticas. O aperfeiçoamento intelectual demanda troca de ideias entre as pessoas; afinal, a vida não é um monólogo, mas sim um diálogo.
quinta-feira, fevereiro 06, 2025
Ato da vida
Numa tarde de quarta-feira, sentei-me sobre a mureta de um prédio corporativo no bairro da Urca, no Rio de Janeiro, e fiquei observando o movimento das pessoas que iam e vinham apressadas. Senti-me, ao mesmo tempo, próxima e infinitamente distante da realidade que via em efeito time-lapse daquela gente.
Imaginei quais pensamentos
inundavam suas cabeças, o que se passava em seus corações acelerados. Pensei no
som de suas vozes adiantadas em velocidade 2x, em como os observava como
objetos de estudo e em como sou, junto com eles, personagem deste ato da vida.
Naquele dia, meu olhar seguia na
direção do horizonte, com visão de longo alcance. Alguns olhares permaneciam
estáticos, congelados na tela do smartphone, conectados a tudo aquilo que não
tinham. Outros pareciam vazios, perdidos no espaço em devaneio.
De repente, zeitgeist, o
espírito do tempo, soprou em meu ouvido uma mensagem: Busque! Sua voz
robótica reverberou eternamente, em uníssono com meus inúmeros pensamentos de
programação padronizada.
Desviei o olhar por um segundo e,
no meu ecrã ocular de alta resolução, surgiu a mensagem: Estabelecendo
conexão... Ao lado, uma pequena ampulheta girava, indicando o tempo de
espera para o desempenho das tarefas do sistema operacional.
A mensagem vinha do coração, hardware
de linguagem misteriosa, executando instruções codificadas, transcritas em
pensamento intuitivo: Conecte-se com o que você já tem!
quarta-feira, fevereiro 05, 2025
A linguagem do coração
terça-feira, fevereiro 04, 2025
Tempestade
Porque aqui dentro existe um turbilhão de ideias.
Sinto a tempestade se formando,
o céu escurece,
a pressão atmosférica chega ao ponto de ebulição.
Não engula.
Afine sua garganta para deixar explodir o grito que você não deu.
As comportas estão cheias.
Deixe transbordar, ou vão estourar.
As águas precisam correr para regar os campos que secaram.
Deixe passar e arrastar todo o entulho e acúmulo.
Deixe levar. Não olhe para trás.
Não espere por nada.
Siga o fluxo e a força da natureza interna que se acumulou.
Este não é o fim, nem o começo, mas o processo.
domingo, fevereiro 02, 2025
Aceite
Aceite o dom de seus versos e, assim, os poetas os sentirão.
Deixe emergir à tona o seu mais profundo suspiro.
quarta-feira, janeiro 15, 2025
A escolha de ser
Escolho meus pés para me conduzirem pelo caminho.
Escolho minhas pernas para me mover pelos espaços que decidir explorar.
Escolho meus olhos para enxergar além e acima dos cenários que decidir visitar.
Escolho minha boca para proclamar as vitórias e verdades que preciso viver.
Escolho meu corpo como guia pelos caminhos onde posso crescer e florescer.
Escolho minha consciência para iluminar a jornada rumo à expansão.
Escolho acreditar, pedir e confiar em meus instintos e intuições.
quinta-feira, dezembro 19, 2024
Predador
Você olha para sua sombra projetada lá fora, e ela ri da sua cara todas as vezes que você tenta controlar o que quer que seja, em uma ação desesperada para conter seu próprio caos interno. Diante desse riso metálico e diabólico, seu espírito se apequena cada vez mais, como um coelho assustado que projeta uma imagem pretensiosa e fraudulenta de si mesmo. É como um caçador que persegue uma presa em um looping eterno: meramente um cão correndo atrás do próprio rabo, um predador que consome a si mesmo em uma fuga e perseguição incessante de vários aspectos descontrolados de sua psique.
Ele representa uma fraude,
vencendo batalhas inglórias em sua mente fraca e adoecida — um verdadeiro
impostor. Nas camadas mais profundas do seu inconsciente, corre um rio poluído
e estancado pela resistência imposta por crenças há muito tempo inúteis. Todos
aqueles que repetem as mesmas histórias que as suas o incomodam porque refletem
aquilo que o habita e que você não aceita. Um dedo apontado para fora é um dedo
apontado para o espelho; um golpe desferido na vítima é um golpe sobre si
mesmo.
Que espírito miserável é esse que
vaga nas sombras de suas tormentas internas? Falta-lhe o silêncio aterrador em
meio aos gritos e gemidos de dor que ele insiste em imputar aos outros. Essa
punição e tortura nada mais são do que o reflexo de seu mundo interior: frágil
e vulnerável.
segunda-feira, dezembro 02, 2024
Substância primordial
Não existe uma ideia completamente sua, pois as ideias têm vida própria em um lugar onde se concentram todos os arquivos possíveis, além do espaço-tempo. Elas habitam um espaço aberto e acessível a qualquer um que seja capaz de alcançá-las. A partir desse ponto, tocadas pela mente, viajam através do mundo interno da psique que as acolhe e revelam apenas aquilo que o consciente em questão pode absorver, expressando-se e tomando forma no mundo material dentro dos limites das crenças e valores do intelecto que lhes dá vida.
Assim ocorre o nascimento de uma nova ideia: ela provém do encontro entre o inconsciente e o consciente, que dá origem a uma substância etérea capaz de nos impulsionar pelos trilhos da história humana e universal. Para cada ser que a concebe, a ideia traz consigo uma essência única e original, derivada da união entre luz e sombras.
domingo, novembro 24, 2024
Alma
A alma tem uma forma diferente e sutil de se comunicar com o corpo. Em um movimento quase involuntário, voltei-me para dentro de mim mesma e comecei a destrinchar quais seriam os grandes propósitos que me guiam pela vida e como eles se manifestam por meio da minha postura diante das coisas. Como um explorador de si mesmo, busquei entender o que me moldou a ser quem sou e o que me move a agir como ajo no mundo exterior.
Mergulhei, tal qual uma forasteira em terras estrangeiras, abrindo cômodos escuros e esquecidos do meu inconsciente. Parecia uma terra de ninguém. Grande parte do trajeto permanecia tomado pelas trevas, pelo silêncio e por sobressaltos diante do desconhecido.
Fui me aproximando, cada vez mais, de um espelho embaçado, de um ambiente úmido e ocre, de águas turvas. Essa postura austera, arredia, de pelos eriçados diante das ameaças externas — que me parecia tão dura e por vezes desnecessária — revelou-me sua verdadeira natureza, sua origem e seus porquês. Era uma alma muito antiga que havia passado por inúmeras experiências, vergado sob incontáveis ilusões, acreditado e defendido tantas causas perdidas que não eram as suas próprias.
Essa alma estava cansada de girar em círculos e de se deixar levar para longe de si mesma. Decidiu, então, se aproximar do corpo, de modo a poder se comunicar com ele sempre que sentisse necessidade de seguir adiante, sem mais se deixar levar pelas utopias e quimeras da vida. Foi assim que ela ergueu um sistema de defesa: um “muro emocional” carregado pelas energias de experiências remotas. Esse muro tornou o corpo intuitivo, alerta e cauteloso diante de ameaças que poderiam mais uma vez distraí-la no caminho de volta para casa.
Esse muro impediu que o rumo se perdesse diante de cada vitrine colorida que surgisse. Afinal, os olhos já estavam calejados por tantas luzes usadas para desfocar a visão de longo alcance.
A alma enxerga tão longe que a
consciência mal consegue acompanhar. Ela mira com tamanha precisão que a razão
não saberia explicar. Sua paciência parece infinita diante de tantas fantasias.
Resiliente, ela espera. Mas ela também urge e move involuntariamente o corpo,
que, aos poucos, se deixa levar de volta para casa.
quarta-feira, outubro 16, 2024
Sobre a consciência
O ser humano é uma máquina em
operação cuja governança principal parte de seu cérebro. O programa que roda
nessa máquina é a consciência; esse software realiza ações mecânicas baseadas
nas necessidades orgânicas do corpo humano. De forma primária, ações e reações
são esboçadas na relação do organismo com o meio em que está inserido. O
conjunto dessas experiências presentes vai se acumulando na forma de memória
(sensações e lembranças), erguendo uma estrutura que dará origem à identidade
daquela pessoa específica, tornando-a única. Essa estrutura é regida pela
consciência que habita esse ser orgânico, englobando o consciente e o
inconsciente, e trabalha em sinergia com a mecânica cerebral, de modo que o
organismo vivo lhe permite experienciar o meio material, conferindo-lhe maior
robustez.
À medida que essa consciência
toma ciência de si mesma, em um ato similar ao de uma pessoa que se olha no
espelho e vê refletido o seu "eu", identificando-se como uma persona,
ela se torna mais complexa, e seus pensamentos, mais abstratos.
Quanto mais abstrato o
pensamento, mais poderosa se torna a consciência em termos de análise e
reflexão sobre si mesma, ampliando seu campo de visão quanto à sua função e
propósito em relação à vida humana em geral. Atingimos, então, uma expansão da
consciência. Acredito que ela pode se expandir ao infinito, uma vez livre do
organismo que habita.