Existem saberes que são como um martelo que te quebra de dentro para fora. Uma mente estilhaçada pelo inevitável é como uma espada nas mãos de um guerreiro cego.
quinta-feira, outubro 10, 2024
domingo, outubro 06, 2024
Projeção
Eu sempre sonhava com ele, aquele que, para mim, representava segurança e confiança. A figura que desempenhava esse papel em minha vida morreu, como todo e qualquer mortal. Minhas ilusões infantis de ter ao meu lado alguém capaz de me proteger contra tudo e todos se desvaneceram, dando lugar a uma avassaladora desesperança e a uma sensação de impotência diante das circunstâncias.
Mas, nos meus sonhos, ele sempre reaparecia como alguém que volta dos mortos para restaurar o caos instaurado após sua partida. Primeiro, eu esperava que ele realmente voltasse à vida, como por um milagre. Depois, ansiava por alguém que pudesse substituí-lo, assumindo o controle da situação e oferecendo direcionamento e comando, como um governante que conduz seu povo.
De repente, percebi que não era exatamente que eu quisesse que ele voltasse; na verdade, eu queria ser ele. Absorver a personalidade que tanto me causava admiração, incorporá-la em mim e me tornar a pessoa que tanto chamei.
Eu sei que, nos meus sonhos, ele é uma projeção de tudo o que desejo ser ou de tudo o que sinto que preciso ser.
segunda-feira, setembro 02, 2024
Peregrina
Para quem já viajou inúmeras vezes sem um destino traçado, pelas linhas férreas das frases impressas em uma folha de papel, saltando de uma epígrafe a outra, suspirando entre parágrafos, inspirando-se em cada sentença enunciada.
Conversei com cada forma-pensamento do mundo das ideias, das mentes mais brilhantes às mais ordinárias,
que convergem em um mesmo rio mental, envolvido pelo éter da alma humana.
No íntimo de cada obra, disseminou-se
o semblante de uma raça que se perpetuou através do espaço- tempo deste nosso
pequeno universo.
terça-feira, agosto 20, 2024
Como eu posso te alcançar?
O tempo, as cores, as formas, o espaço e os sentidos são meu mundo todo—e ele não passa de cognição, sinais elétricos enviados ao meu cérebro.
A música, trilha que carregava o campo magnético do meu coração—que parecia saber mais do que apenas bater—deixou escapar minha alma para fora do corpo.
E agora, como posso te alcançar?
quinta-feira, junho 27, 2024
Leitura
Essa é a hora em que o mundo silencia e, além das palavras que sussurram na minha cabeça, posso ouvir o som da minha respiração e do meu coração.
segunda-feira, março 25, 2024
Poder
O poder real e absoluto não tem nada a ver com o quanto se pode dominar e conquistar, mas com o quanto se pode expandir e dispersar-se para além de todas as fronteiras.
quinta-feira, agosto 31, 2023
Me encontrar
terça-feira, agosto 08, 2023
Possível
Se realmente existe a imortalidade das coisas, ainda é possível ver a chuva do outro lado do oceano.
É possível presenciar as auroras boreais tão distantes daqui, onde o horizonte não alcança.
contemplar o desabrochar das flores no extremo oposto do planeta
ver o nascer do sol em um lugar onde nunca o vi nascer
observar as florestas e sentir o aroma das coisas tão distantes de onde estou
ouvir vozes e idiomas desconhecidos para mim
enxergar os rostos de seres em realidades tão diversas da minha
mesmo que não haja tempo, experimentar tudo aquilo que ainda não provei
saborear todos os gostos que nunca conheci
me conectar a todas as pessoas que jamais imaginei.
viver o dia que nunca esperei
deixar para trás
chegar ao destino
compreender definitivamente
alcançar completamente.
Vou inspirar profundamente
E exalar o ar até que ele se acabe,
Enxergar o infinito reverberar em uma frequência desconhecida,
E então, o que acreditei ser impossível será possível.
domingo, dezembro 09, 2012
Virando a página
quinta-feira, fevereiro 02, 2012
Mudanças proclamadas
Há muito sentimos brotar a
necessidade de mudar. Essa necessidade tornou-se quase uma urgência nos últimos
anos. Então, chegou-se a um consenso de que está na hora de transformar nossa
realidade.
Sabemos disso e, no fundo de
nossos corações, ansiamos por um novo mundo. No entanto, muitos — talvez a
maioria de nós — não levam em consideração o quão doloroso é o processo de
transformação e mudança.
Esse processo não é externo; não
começa lá fora, no mundo, nem nas pessoas ao nosso redor. Ele começa dentro de
nós, e precisamos entender que não é algo fácil, agradável, confortável,
tranquilo ou pacífico.
É um processo turbulento,
doloroso, incômodo, porque mexe com aquilo a que estamos acostumados,
condicionados e educados. Definitivamente, mudar não é fácil.
Falar sobre a necessidade de
mudança é simples, é cômodo, pois sequer iniciamos nossa jornada. Mas mudar um
comportamento que repetimos há 5, 10, 20, 30, 40 anos torna-se uma tarefa tão
difícil quanto escalar o pico de uma montanha. É uma batalha árdua contra
condicionamentos e hábitos que repetimos há anos.
Mesmo uma pequena mudança será
dolorosa, pois nos tirará do lugar onde estamos acostumados a estar. Ela
removerá um comportamento ao qual nos acomodamos, nos lançará para além das
paredes que construímos ao nosso redor e nos exporá além da segurança que conhecemos.
A transformação demanda a
subtração infinita de valores, comportamentos, segurança, conforto, acomodação,
costume, repetição, entrega. Quando iniciada, a mudança vai removendo um a um,
como alguém que arranca pragas de um jardim abandonado à própria sorte. A
remoção é dolorosa. A desintoxicação machuca. Deixar para trás um comportamento
repetido por anos não é fácil.
A maioria das pessoas deseja
passar pela transformação, mas poucos estão realmente dispostos a abrir mão de
seus vícios, comportamentos, conforto e acomodação para, de fato, alçar voo
rumo ao desconhecido. Deixar para trás o mundo ao qual estamos acostumados
exige grande esforço, causa dor e sofrimento, pois trata-se de uma batalha
diária travada dentro de nós.
Pense em como é difícil mudar um
simples hábito. O ser humano tende, infelizmente, à repetição e à acomodação.
Suponha que você tenha um vício — seja álcool, remédios, chocolates, cigarros,
refrigerantes, cafés (seja o que for). Você o repete diariamente durante anos
porque está acostumado, e, por isso, ele se torna prazeroso, confortável,
agradável. Ele acalma, relaxa, diverte, satisfaz, faz sentir-se bem. Assim, aos
poucos, entregamos nossa satisfação, nossa “felicidade”, nosso contentamento a
fatores externos: a terceiros, substâncias, alimentos, bebidas, comportamentos
etc.
Cada vez mais nos tornamos
dependentes de elementos externos e, com isso, nos enfraquecemos, nos
sabotamos, passamos a depender sempre desse ou daquele suprimento, dessa ou
daquela pessoa, para nos sentirmos seguros, confortáveis, felizes e
satisfeitos.
Gradualmente, nos tornamos
reféns, vítimas, fracos, dependentes, anulados. E então, nos vemos incapazes de
caminhar com nossas próprias pernas, incapazes de promover a mudança que tanto
aspiramos.
Como fazer acontecer? Como
promover transformações? Como visualizar mudanças se não somos capazes de
modificar nossos próprios comportamentos? Se não conseguimos vencer nossos
próprios vícios, derrotar nossos próprios fantasmas? Se não estamos dispostos a
sair da zona de conforto e suportar a dor de modificar sequer um pequeno
hábito?
Se não temos coragem de agir
sozinhos porque dói, porque temos medo, porque não queremos sentir desconforto,
insatisfação ou contrariar nossos próprios desejos e padrões, como assumiremos
o controle de nossas ações?
Muitas vezes, não temos força de
vontade suficiente para mudar pequenas coisas em nós. Então, percebemos que o
que queremos não são mudanças nem transformações, mas a perpetuação do que já
somos: do falso conforto, da falsa segurança, da previsibilidade ilusória, da
repetição, dos vícios e manias, das mentiras e ilusões. Queremos continuar nos
entregando às fraquezas contra as quais nos recusamos a lutar.
Chegamos, então, à conclusão de
que nosso desejo de mudança não era sincero, mas uma ilusão. Esperamos, em vão,
que algo ou alguém faça por nós o que não temos disposição de fazer por nós
mesmos. Afinal, todos somos capazes, mas poucos se arriscam a levantar voo rumo
ao desconhecido.
Afastamo-nos da capacidade de
enxergar que, na maioria das vezes, optamos por não fazer a transição.
A dificuldade não deve ser
encarada com desânimo, mas como um desafio. Para aprender a voar, é preciso se
arriscar a cair, errar e se machucar — para, então, levantar-se e tentar
novamente. Nada é para permanecer imutável.
segunda-feira, dezembro 05, 2011
Show de horrores
quinta-feira, novembro 24, 2011
Não conte comigo
quarta-feira, novembro 16, 2011
Limite
quinta-feira, outubro 20, 2011
Um dia
domingo, outubro 09, 2011
Revolução pessoal
Para promover a transformação, a
renovação, a revolução, é preciso partir de si mesmo e não apenas de autores,
manuais, ideais, opiniões alheias, filmes, professores, cursos, entre tantos
outros. A revolução começa internamente e, a partir daí, se expande para o
mundo externo como consequência da transformação que já explodiu e inundou todo
o seu ser, permitindo que você enxergasse com seus próprios olhos a ilusão
erguida diante de si como realidade.
Não se trata de concordar ou
discordar desta ou daquela posição; não estamos falando de um simples
posicionamento, mas daquilo que é. Quando a transformação torna-se parte do
próprio ser, a consciência se desloca em direção ao caminho da revolução, tornando
irresistível a mudança à sua frente.
Não se trata de fé cega ou de
crer sem ter experimentado por si mesmo a implantação de uma nova consciência.
Não se trata de seguir ou aceitar este ou aquele dogma, estas ou aquelas
colocações e posicionamentos. Não há fé nem religião, mas sim questionamentos,
pois, ao visualizarmos pessoalmente a realidade em que habitamos sob um
panorama mais amplo, somos levados a refletir e a enxergar além das imposições
externas.
Não adianta concordar com quem
quer que seja; é preciso ver e perceber, por si só, a ilusão em que vivemos.
Quando isso acontece, tudo se torna tão claro que essa realidade torna-se
inaceitável. É necessário partir do coração, despido de sentimentalismos, e da
razão, livre de condicionamentos, alcançando a lucidez suficiente para perceber
o cenário erguido e, por meio dessa percepção, abrir, pouco a pouco, as
cortinas dessa grande peça. Então, aquilo que tomávamos por tudo perde o
sentido, dando lugar a um mundo infinito de possibilidades, um desconhecido
pronto para ser explorado por nós mesmos, sem depender de opiniões alheias,
posicionamentos consagrados ou visões especializadas. A jornada passa a ser
trilhada conforme nosso verdadeiro ser, e não segundo aquilo que nos foi
imposto ou empurrado goela abaixo.
É um caminho no qual somos
senhores de nós mesmos, capazes de decidir de forma independente e confiante,
sem nos basearmos rigidamente nisso ou naquilo. É preciso conquistar a
confiança em nossas próprias capacidades, ainda não exploradas e muitas vezes desconhecidas,
e nos empenharmos no desenvolvimento livre e ilimitado do potencial humano, em
harmonia com o todo, em unicidade e não em fragmentação. Não há superioridade
de um grupo sobre outro; o que existem são seres que fazem parte de um mesmo
organismo, cujo desempenho só será eficaz se houver colaboração e trabalho
conjunto, em vez de submissão a divisões inúteis e ilusórias que apenas
destroem esse organismo e não levam a lugar algum, mergulhando todos em uma
panaceia sem sentido.
É necessário trilhar o caminho
para, então, aderir à causa. A vontade nasce no coração daquele que, por si
mesmo, descobriu sua verdadeira vocação para o conhecimento.
quarta-feira, setembro 28, 2011
Num mundo memória
Durmo e acordo tateando no escuro,
num mundo de memórias, apagado e chateado.
Brumas cinzentas dos vestígios do passado,
um suspiro que morre no peito.
Coração fraco, enterrado, soterrado de ilusões.
Perdoe-me a dureza e o peso dos meus sentimentos,
a escuridão de onde falo, a frieza desta vida.
Peço compreensão, ainda que não carregue o fardo
de sentimentos tão tolos e inúteis.
Como se fosse preciso pedir... Já sabes.
Espera-me. Sei que esperas.
Esperas com paciência infinita,
e um dia, hei de chegar e tocar tua mão.
Por vezes, vens e me abraças,
quando me estendo até os limites do possível,
e eis um abraço...
Um abraço daqueles que fazem calar tudo ao redor,
e então, deixo de ser apenas eu
e sou, enfim.
Num mundo despedaçado e miserável como este,
não nos resta nada além de memórias,
como verdades absolutas, vontades resolutas.
Aqui, acessamos o amor
pequeno pedaço de amor
por meio da memória guardada,
prisão do passado.
Então, deixa-me transmitir um pouco,
quase nada, do que sei do amor.
Assim, através da lembrança,
haja o que houver,
fica com o melhor que houver em mim,
e então saberás um pouco mais
dessa coisa a que chamo amor.
Ao meu filho, deixo um manancial de lembranças
do dia em que fomos felizes.
Vai junto o amor —
a todos que já amam
e, principalmente, àqueles que há muito deixaram de amar —
para que se lembrem da sensação
de abraçar tudo o que há,
deixar-se arrastar pela energia pacífica
de um universo infinito e desconhecido,
a silenciar nossas mentes sombrias.
quarta-feira, setembro 14, 2011
Me perguntaram quem sou, eu disse ninguém
Perguntaram quem era, mas não havia ninguém.
terça-feira, setembro 06, 2011
Templo do infinito
quarta-feira, julho 06, 2011
Débito
quinta-feira, junho 16, 2011
O amanhã
terça-feira, maio 31, 2011
Acorde
terça-feira, maio 17, 2011
A revolta desarmada dos tolos
domingo, maio 01, 2011
Ai...
sexta-feira, abril 22, 2011
Verão
quarta-feira, abril 06, 2011
A seriedade que não sou
quarta-feira, março 30, 2011
Do que aprendi com os cães, do que não aprendi nos livros, na escola e na televisão.
quinta-feira, março 17, 2011
Cenário
quarta-feira, fevereiro 23, 2011
Um encontro
Me lembro ter imaginado uma ausência perene,
Sonhava uma dor suave, amainada pelo passar do tempo
Foi-se aos poucos se dissolvendo uma imagem embrutecida pelas novidades
Falta de juízo total, diamante secreto da exclusividade
As lágrimas, notas tortas de um piano desafinado, puro desajeito das mãos estúpidas de um velho escritor
Juramos eternidade sem nada dizer,
Tamanha sinceridade não exige memória,
Nada, um sentido guardado numa caixa de madeira
Tudo, um sentimento descolado do tempo, da fama e do nome
Renovado pedido, faz minh'alma te chamar mais para perto
Aquece meu lar, tens outro nome, outra face, outra alma
Mas se entre ambos um mundo, um abismo de diferenças, aqui entre particularidades, generalidades, vem pairando acima essa forma, esse sopro, vida a nos animar a todos,
Não há de ser meramente humano esse som, essa força que nos move
Há de ser tudo o que há
Para fora e para dentro. Um encontro.
quarta-feira, janeiro 19, 2011
Desculpe-me
Prometi ligar, mas não liguei
Prometi voltar, mas não voltei
Prometi escrever, mas não escrevi
Destinos, promessas, esperanças firmadas em aparências
Cumpro o silêncio que me deixa calar
A expressão do desejo se reflete na presença desnecessária das palavras
Desculpe-me não dizer.
O não manifesto das palavras se insurge contra a oratória que prova
Imputa ânimo naquele que escuta, vence ou convence.
O que preciso eu dizer ao ego que me ouve
Esclarecer, amanhecer sobre mim explicações imprecisas
Há fenômenos sobre os quais prefiro nada dizer
Há que se cumprir algo além de palavras
Seja sorte, sina a sair do ventre, nascer do ovo
A manar de si e inundar tudo o que há