Primeiro, a bebida.
Dela, um sabor meio amargo na língua, uma dormência nos lábios, um perfume no
hálito, uma leveza no corpo.
Pequenos voos, pensamentos vazios, o tempo parado e perdido, verdades roubadas,
queda livre e a perda de si.
Seria a fada verde? Não saberia dizer.
Se alguém nos chama, não ouvimos; e, se ouvimos, certamente
não é a verdade.
Vamos por ali, onde os campos são livres e verdes, vazios e
frescos. Vamos até lá.
Vamos correr até cair, até perdermos o fôlego e nos curvarmos.
Com ou sem a fada, com ou sem a bebida lúdica, com ou sem
loucura, os campos lisos permanecem onde estão.
Eles esperam por pés que os toquem, por aqueles que corram sobre seu verde, que
se curvem e caiam de cansaço e depois se levantem, livres e leves, para correr
uma vez mais.
Os campos estão lá, à sua espera, e você está à espera das
aventuras que eles propõem.
Aguarda-te o silêncio do verde, e o verde aguarda teus
gritos e suspiros em busca de liberdade.
Eles modificam nosso olhar, mesmo que recaia sobre as mesmas coisas de sempre.
Oferecem o que você quiser, e você, o que oferece a eles?
Eles não desistem de você, embora você desista deles.
Não podem esperar mais nenhum segundo sequer, mas ainda assim esperam.