A passagem é estreita
e me aperta entre paredes de pedra.
Ao longo do dia
vivi para vê-las ruir.
Penso nas pessoas de alma bonita,
nas coisas imóveis,
instantes carregados na carroça vazia
do olhar.
O rangido constante das rodas,
trepidando nas mesmas pedras que oprimem,
canta minha passagem.
A tensão
entre o corpo sombreado do céu,
escurecido por nuvens de chuva,
e o brilho regente do Sol
que derrama sobre a terra
seu tom morno de mel
faz brotar dos poros o sal:
o mesmo do mar e dos olhos,
do calor e da emoção.
Criação.