segunda-feira, fevereiro 23, 2026

Híbrida

Cansei dos contornos traçados por mãos alheias.
Da natureza que me deram sem atravessar-me.

O íntimo não se recebe por fora.

Quase nada do que sou se nomeia.
Nem eu ouso encerrar-me.

Do pouco que naveguei de minhas águas,
avistei a extensão do horizonte.

Acreditei, mas não era eu.

Sou híbrida.
Múltipla.
Não pertenço a um só porto.

Zarpo.
Atraco.
Fico.
Parto.

Nem acima, nem abaixo.
Comparações não me definem.

Ao ir ou permanecer, levo o que me é próprio.