Em paisagens turísticas, cujas imagens instagramáveis se congelam em massa, vejo pessoas dispersas a sorrir para as câmeras, na expectativa de serem notadas através de momentos eternizados em narrativas lidas pelo olhar alheio. Vejo-me entre elas, compartilhando do mesmo fogo de palha que nos move de um destino a outro, sempre em busca.
Ainda assim, sopra em mim um desejo aspirado do fundo à superfície, que me conduz ao momento mais esperado da caminhada em meio ao burburinho: o intervalo silencioso entre um grupo e outro. Ele me envolve como um abraço suave da paisagem aberta, que se oferece naturalmente. Admiro a brisa refrescante da fresta por onde algo verdadeiro respira entre nós.
Sorvo-a em pequenos goles pelos olhos, a mirar sua imensidão; ouço, ao longe, as vozes excitadas das pessoas que se vão e que chegam novamente em levas, através do tempo.
Aquece-me o coração tê-las por perto como plano de fundo de um panorama maior. Mesmo só, junto-me a elas de certa forma e, acompanhando-as com o olhar, permaneço nesse misto de pertencer e descaber.