domingo, janeiro 04, 2026

O poder que emana do amor e não da dor

Não é o Cristo divino
que me atravessa.

É o homem
que cai
sob o olhar da mãe.

Ela acompanha.
Ama.
Mesmo na dor.

O homem que tropeça,
assistido pelo amor.

Vulnerável,
acolhido
pela dignidade
que permanece de pé.

O Cristo que me abraça
e me acolhe
não está crucificado.

Está humano,
livre do sacrifício.

Vive no gesto comum:
no carpinteiro,
no menino que ri,
na verdade dita em voz alta,
no choro,
na festa,
no olhar que reconhece
a injustiça.

Ele mora
no humano.

E o ama.

Jesus sofreu
porque viveu.
Amou.
Esteve entre nós.

O calvário
foi apenas o recorte
de um homem
que atravessou
uma existência inteira.

Desço sua dor do pedestal.
Guardo no coração o amor.