quarta-feira, janeiro 14, 2026

O céu escuro de Deus, sua voz é trovão

Ouço o chamado sem sabê-lo
e me movo em sua direção, dando-lhe forma.
Faço conforme minha natureza.

Por vezes me perco nos ruídos,
mas mesmo no erro realizo a travessia.
O vento que açoita
também conduz.

Sempre amei as tempestades.
Raios, trovões,
o estalo no chão,
o clarão que anuncia o estrondo.
A força invisível
tornando-se visível.

Na juventude, sonhei
o nada,
o céu escuro,
os raios.

Uma voz:
Você quer conhecer Deus?

Respondi sem palavras.
E caí.

Caí entre raios,
pura eletricidade,
até despertar
no céu escuro de Deus.

O trovão rasga o silêncio primordial.
A tempestade libera o que estava acumulado.
Antes, o ar pesa.
Depois, o impacto.

Quem ama tempestades
suporta o campo elétrico.

O conhecimento verdadeiro
não é conforto,
é impacto.

Deus não me abriga.
Atravessa-me
como um raio.

Escrevo
para aterrar o raio.
Torná-lo
linguagem.