Ouço o chamado sem sabê-lo
e me movo em sua direção, dando-lhe forma.
Faço conforme minha natureza.
Por vezes me perco nos ruídos,
mas mesmo no erro realizo a travessia.
O vento que açoita
também conduz.
Sempre amei as tempestades.
Raios, trovões,
o estalo no chão,
o clarão que anuncia o estrondo.
A força invisível
tornando-se visível.
Na juventude, sonhei
o nada,
o céu escuro,
os raios.
Uma voz:
Você quer conhecer Deus?
Respondi sem palavras.
E caí.
Caí entre raios,
pura eletricidade,
até despertar
no céu escuro de Deus.
O trovão rasga o silêncio primordial.
A tempestade libera o que estava acumulado.
Antes, o ar pesa.
Depois, o impacto.
Quem ama tempestades
suporta o campo elétrico.
O conhecimento verdadeiro
não é conforto,
é impacto.
Deus não me abriga.
Atravessa-me
como um raio.
Escrevo
para aterrar o raio.
Torná-lo
linguagem.