quarta-feira, janeiro 28, 2026

Minha Nação Sou Eu

Há, no Brasil, muita gente tomada pelo complexo de vira-lata. Pessoas que se sentem inferiores diante dos outros e, a partir disso, passam a tratar o próprio país como antiético, sujo, como se aqui nada tivesse valor. Essa visão não passa de uma generalização empobrecedora, que pouco explica e nada transforma. Serve apenas para denegrir, de forma gratuita, a terra que nos abriga.

Reduzir o Brasil à sujeira e à podridão é injusto. Esta é a casa onde vivo, e não me reconheço nessa imagem. Existem, sim, pessoas ruins entre nós, e não são poucas. Isso é inegável. Mas e as boas? Onde ficam nesse discurso? Foram apagadas, esquecidas, empurradas para fora da narrativa para sustentar a ideia confortável de que o problema está sempre no território, nunca em quem o habita. A sujeira não está no mapa; ela começa no indivíduo, apagado dentro de uma imagem deturpada do coletivo que ele mesmo ajuda a construir.

Há uma contradição evidente em condenar o país enquanto se exime da própria responsabilidade ética. Se tantos se dizem incomodados com a “sujeira” do Brasil, por que não começar pelo que é mais próximo e mais difícil: a si mesmos? Por que não se tornar, na própria vida, um exemplo da integridade que se admira em outros lugares?

Não adianta atravessar fronteiras em busca de pessoas louváveis se os próprios valores não acompanham a viagem. Nenhum país é moralmente superior por natureza. O que sustenta qualquer lugar são indivíduos com princípios, escolhas conscientes e valores internos inegociáveis. Onde isso falta, não há geografia que resolva.

Buscar melhores oportunidades em outro país é legítimo. Crescer, experimentar, ampliar horizontes faz parte da vida. O que não é legítimo é diminuir o Brasil ou tratá-lo como inferior diante dos outros, como se a dignidade fosse um privilégio estrangeiro. Nenhum território se sustenta sem pessoas íntegras.

Cada indivíduo é um território em si, sem coordenadas geográficas. São as escolhas que fazemos que moldam o relevo da nossa existência; é a percepção que define a altitude e a amplitude da própria grandeza. Estar em casa é estar em si, independentemente do país. Minha nação sou eu. Nativa do próprio ser, uma alma finalmente repatriada em si mesma.