Trago comigo
o que vibra em afinidade,
afinando os instrumentos.
O que me acompanha
não é o conflito,
mas o que ainda é vivo
e possível.
Abrigo
o que faz sentido preservar.
O restante fica.
Sem ataque.
Sem acerto de contas.
Atravesso o rio
e agora vejo a margem
a partir deste novo ângulo,
à distância.
Apenas observo,
sem precisar agir sobre.
Não é preciso interferir
para não ferir,
apenas seguir.
O mapa está iluminado,
posso enxergar
o arranjo musical
e ouvir
a orquestra tocar.
Cada personagem
tem seu instrumento,
cada som
tem sua função.
Acendo as luzes de casa,
deixo-as acesas
para que àqueles
que caminham lá fora
possam ver
e sentir o conforto
que um dia senti
ao vê-las de longe,
na escuridão
e no silêncio da noite.
O silêncio de fundo
acolhe a música
que segue a tocar.
Mantenho as luzes acesas,
iluminando
a orquestra
que se apresenta.
O propósito é o mesmo
para todos;
o que muda
para cada um
é a forma
de chegar a ele.