quinta-feira, janeiro 08, 2026

Luzes acesas

Trago comigo
o que vibra em afinidade,
afinando os instrumentos.

O que me acompanha
não é o conflito,
mas o que ainda é vivo
e possível.

Abrigo
o que faz sentido preservar.

O restante fica.
Sem ataque.
Sem acerto de contas.

Atravesso o rio
e agora vejo a margem
a partir deste novo ângulo,
à distância.

Apenas observo,
sem precisar agir sobre.

Não é preciso interferir
para não ferir,
apenas seguir.

O mapa está iluminado,
posso enxergar
o arranjo musical
e ouvir
a orquestra tocar.

Cada personagem
tem seu instrumento,
cada som
tem sua função.

Acendo as luzes de casa,
deixo-as acesas
para que àqueles
que caminham lá fora
possam ver
e sentir o conforto
que um dia senti
ao vê-las de longe,
na escuridão
e no silêncio da noite.

O silêncio de fundo
acolhe a música
que segue a tocar.

Mantenho as luzes acesas,
iluminando
a orquestra
que se apresenta.

O propósito é o mesmo
para todos;
o que muda
para cada um
é a forma
de chegar a ele.