Quando criança, vi um homem idoso
ajoelhado na igreja.
sustentando-se apenas
pelo gesto de juntar as mãos.
Vertia fé
e sofrimento.
Quem sabe pedisse um milagre.
Ele emanava
entrega,
tristeza,
vulnerabilidade.
Aquilo me tocou.
Comecei a chorar
sem saber por quê.
Chorei o meu choro
e o choro dele.
Minha mãe não entendeu.
Eu também não soube explicar.
Apenas senti.
Levantei
e saí da igreja
para esconder a dor
que sentia
por ele.
Sempre fui tomada
pela condição humana.
Pelo estado de espírito
que não se delega.
Deus me alcança
pela criação.
Venho Dele
e dela sou parte.
Realizo-me
na existência,
na experiência
de ser
aquilo que sou.
Humana.