O perfume nostálgico exalado pelos corredores do que fui
me convoca a um tom mais quente de compreensão
do tempo das coisas, após os tropeços do destino.
Embriões prematuros prometem, mas não cumprem.
É preciso acolher o processo da vida em etapas:
o descer das escadas,
o vagar pelos corredores,
o abrir das portas,
a primavera das vivências.
Migrando do ruído para o som,
é preciso atravessar o silêncio,
tomar fôlego e seguir paciente,
subir novamente, erguer a vista,
aceitar mais uma vez o simples viver,
regar a terra, dar sustento aos pés,
acender a seiva pela minha espinha
até o topo das árvores que me florescem.
Minha narrativa foi amarrada a um cercado para conter o gado,
e escrever foi a forma que encontrei para me transformar.