Palitos são o que há de mais essencial em celebrações.
Num único eixo,
tomates, queijos, azeitonas, presuntos
se encontram.
Diferenças atravessadas
por um gesto simples.
O que era disperso se alinha.
O excesso se organiza.
O caos ganha forma
e se oferece ao paladar.
Pequenos, quase invisíveis,
sustentam encontros.
Unem sabores que jamais se tocariam
sem esse fio mínimo.
Vieram do banal.
Da higiene bucal.
Do gesto rápido,
da correção do incômodo.
E sem alarde,
se transformaram.
Hoje habitam mesas,
marcam presenças,
ocupam o tempo da descontração
em que ninguém tem pressa.
Nada permanece fixo.
Tudo se desloca.
Do uso ao símbolo,
do descartável ao essencial.