segunda-feira, dezembro 08, 2025

O som do Tao

O Tao não se define, mas, se tivesse som, nasceria como um tom liminal,
um acorde leve que não se impõe, apenas vibra no ar,
uma nota suspensa sem começo e sem desfecho.
Desliza entre frequências, audível e inaudível,
como um sopro que atravessa frestas
e redesenha a paisagem em um tempo indefinido.

É a música que surge quando ninguém toca,
o silêncio que compõe o infinito,
a respiração do todo que nos atravessa.

Cria uma ambiência, um pulso entre-lugares,
um campo de transição onde tudo paira.
É sensação pura, névoa sonora que conduz
ao limiar entre vigília e sonho, matéria e ideia, presença e eco.
É neblina que envolve e apaga contornos.

Timbre etéreo que não se ancora, apenas ressoa,
como ondulações na água que se expandem.
Batida sutil, chamado longínquo,
calma que afrouxa margens e dissolve limites.

O tempo dilata, respira, atravessa,
e o clima se abre em sinergia, ascensão e mergulho.
O som se espalha na multidão em dança harmônica,
mesclando o diverso e o íntimo em ritmos alternados.

É uma frequência que pulsa dentro e fora,
matriz sonora primordial, sutra vibratório do Tao.
Um som que não finaliza, apenas se dissipa no ar,
como a última nota de um instrumento que continua tocando por dentro.