Minha mão infante moldava o barro
das formas desconhecidas e de seres estrangeiros,
num desconhecer e reconhecer
que se juntam em uma só coisa.
Pôs-me em contato com o inominável,
o numinoso.
Desenrolou-se lentamente,
sem que eu pudesse notar,
um novelo imbricado de destinos cruzados.
As peças soltas
de um imenso quebra-cabeça
se organizaram e acordaram,
desenhando o mapa
de uma paisagem maior,
em movimento irresistível,
como se eu escrevesse
para trás e para frente no tempo,
revelando uma natureza atemporal.
Uma sensação entre escrever e descrever
o crescer das árvores ainda dormentes em sementes,
cujas frutas amadurecem de repente
após longo período de gestação invisível.