Faz-me rir,
gargalhar
e mesmo estranhar
essa minha mania
de animar o inanimado.
Dar vida ao que
não tem vida,
como sujeito a dar voz ao objeto.
Afinal,
aquilo que é
também existe.
O caráter
impessoal me é pessoal,
porque ofereço destino
à matéria das coisas.
Coisas à margem
do olhar,
objetos multiplicados
que desaparecem no excesso.
Não é curioso
tropeçar na invisibilidade
que está à vista,
mas fora do pensamento?
Costuro partes
numa paisagem das coisas
só para dizê-las vivas
no esquecimento.