segunda-feira, dezembro 22, 2025

Inanimado

Faz-me rir, gargalhar
e mesmo estranhar
essa minha mania
de animar o inanimado.

Dar vida ao que não tem vida,
como sujeito a dar voz ao objeto.

Afinal,
aquilo que é
também existe.

O caráter impessoal me é pessoal,
porque ofereço destino
à matéria das coisas.

Coisas à margem do olhar,
objetos multiplicados
que desaparecem no excesso.

Não é curioso
tropeçar na invisibilidade
que está à vista,
mas fora do pensamento?

Costuro partes
numa paisagem das coisas
só para dizê-las vivas
no esquecimento.