Toca baixinho o
som do amanhecer,
calando os ruídos que pedem resposta.
A aura do que me chama
estanca o movimento frenético da mente.
Essa presença,
ancorada no tempo de agora,
está sentada diante do portão.
Não entra.
Não parte.
Um grande gato
preto,
cuja postura recolhe em si
toda a minha atenção.
Eu o olho,
surpresa — reconheço.
Ele olha.
Mantém calmos
os olhos que atravessam meu horizonte.
Permanece.
Aguarda na borda do que sou:
inteira, silenciosa, atenta.
Faro encarnado.
É-me familiar
seu olhar noturno, instintivo.
Há algo em mim
que sabe olhar
sem se perder.