domingo, dezembro 14, 2025

Dramaturgia narcísica

Na dramaturgia narcísica da vida comum,
o ego projeta valor em objetos externos,
geralmente artificiais,
como se fossem capazes de preencher lacunas internas.

Dá-se mais à réplica do que ao original que a inspirou:
esta é a beleza morta das flores de papel,
a ausência de frescor das frutas de cristal,
a imitação dos sabores artificiais.

Deseja-se mais aquilo que não alimenta, mas enfeita,
do que aquilo que nutre e dá vida.

Projeta-se valor sobre imagens de desejo vazias,
forjadas para seduzir e dispersar.

Tornamo-nos caricatos, borrados,
sujeitos insípidos, encenados,
arrastados pelo coletivo em buscas infinitas,
presos a simulacros, performances rasas,
que nos conduzem a lugar nenhum.