Carrego em mim tudo aquilo que prezo:
o equilíbrio da caneta nas mãos
que compõem o canto
e o arranjo de suave vibração
expresso em palavras e orações.
Minhas orações não são mantras entoados,
mas sutra na pele.
Não rezo para algo que mora lá fora;
rezo sendo tocada por Ele.
Me ofereço como instrumento no qual vibram
as notas de um acorde maior,
sou corpo afinado
para que o som aconteça.
Desafino, saio do tom,
escorrego nas notas;
respiro nas pausas,
realizo intervalos.
Confio na música que toca por dentro.
Mas há momentos em que o mundo
está desafinado demais
para entrar no compasso.
Respeite o tom.
Quando a luz mergulha na terra,
a música não para.
Ela pede lugar.
Sigo a tocar
sou melodia.
Minhas sensações
são canções de diversos estilos.
Minha vida é partitura
de um fluxo sonoro
que reverbera.