sexta-feira, dezembro 26, 2025

Compasso interior

Carrego em mim tudo aquilo que prezo:
o equilíbrio da caneta nas mãos
que compõem o canto
e o arranjo de suave vibração
expresso em palavras e orações.

Minhas orações não são mantras entoados,
mas sutra na pele.

Não rezo para algo que mora lá fora;
rezo sendo tocada por Ele.

Me ofereço como instrumento no qual vibram
as notas de um acorde maior,
sou corpo afinado
para que o som aconteça.

Desafino, saio do tom,
escorrego nas notas;
respiro nas pausas,
realizo intervalos.

Confio na música que toca por dentro.

Mas há momentos em que o mundo
está desafinado demais
para entrar no compasso.

Respeite o tom.

Quando a luz mergulha na terra,
a música não para.
Ela pede lugar.

Sigo a tocar
sou melodia.

Minhas sensações
são canções de diversos estilos.
Minha vida é partitura
de um fluxo sonoro
que reverbera.