A mulher segura uma cesta sem frutos.
Observa, não age,
forma sem conteúdo,
terra estéril.
A ela o nobre
oferece um sacrifício,
mas não corre sangue.
Nada acontece.
Tudo permanece suspenso
em eterna iminência.
O encontro não tem vida,
não floresce.
Um cavalo
robusto se aproxima.
Ele não é humano,
é do reino instintivo,
puro e verdadeiro,
amor em estado bruto, vigoroso.
Trota decidido
em direção ao nobre,
que ergue o arco, desconfiado, ameaçado.
Mas o calor do animal o envolve
e o desarma.
Monta-o e segue
a galope
rumo a um campo sem caça,
um homem que, por onde pisa,
não deixa pegadas,
não leva a lugar nenhum,
um ruído que ocupa espaço
com palavras vazias.
Cavalo e
cavaleiro retornam,
o nobre de mãos vazias,
o cavalo com corpo e presença.
Ele é tudo o que o homem hesitante não é.
Os frutos estão
na vida,
não na imaginação.
Uma união vazia,
uma cesta sem frutos.
Nenhum lugar é
conveniente
para aqueles que, acordados,
ainda sonham.