quinta-feira, dezembro 04, 2025

Campo Sem Caça

A mulher segura uma cesta sem frutos.
Observa, não age,
forma sem conteúdo,
terra estéril.

A ela o nobre oferece um sacrifício,
mas não corre sangue.
Nada acontece.
Tudo permanece suspenso
em eterna iminência.
O encontro não tem vida,
não floresce.

Um cavalo robusto se aproxima.
Ele não é humano,
é do reino instintivo,
puro e verdadeiro,
amor em estado bruto, vigoroso.

Trota decidido em direção ao nobre,
que ergue o arco, desconfiado, ameaçado.
Mas o calor do animal o envolve
e o desarma.

Monta-o e segue a galope
rumo a um campo sem caça,
um homem que, por onde pisa,
não deixa pegadas,
não leva a lugar nenhum,
um ruído que ocupa espaço
com palavras vazias.

Cavalo e cavaleiro retornam,
o nobre de mãos vazias,
o cavalo com corpo e presença.
Ele é tudo o que o homem hesitante não é.

Os frutos estão na vida,
não na imaginação.
Uma união vazia,
uma cesta sem frutos.

Nenhum lugar é conveniente
para aqueles que, acordados,
ainda sonham.