Distante, vejo uma nuvem chorar,
parindo dores condensadas.
As cores densas se precipitam
sobre os clarões elétricos
que rasgam o firmamento.
O céu, que
ardeu o dia todo, enfim se despede
em meio às luzes esparsas
que beijam a terra em estrondos
e me abalam por dentro.
A sensação que
me esbarra na pele
sopra suave,
para depois revelar sua outra face:
o açoite dos ventos nas janelas.
O mundo
cotidiano aperta o passo,
temeroso do choro celeste.
Enquanto eu, quero me encharcar,
sentir o arrepio na espinha,
a revoada dos cabelos.
Deixo-me ao
relento
e recebo do alto
um afago.
A natureza do
tempo me comove;
paro de correr com os outros
que buscam abrigo
na pressa que se esconde da chuva.
Eu, não.
Prefiro dançar sob ela
e batizar minha alma.