domingo, dezembro 07, 2025

Batismo da Alma

Distante, vejo uma nuvem chorar,
parindo dores condensadas.
As cores densas se precipitam
sobre os clarões elétricos
que rasgam o firmamento.

O céu, que ardeu o dia todo, enfim se despede
em meio às luzes esparsas
que beijam a terra em estrondos
e me abalam por dentro.

A sensação que me esbarra na pele
sopra suave,
para depois revelar sua outra face:
o açoite dos ventos nas janelas.

O mundo cotidiano aperta o passo,
temeroso do choro celeste.

Enquanto eu, quero me encharcar,
sentir o arrepio na espinha,
a revoada dos cabelos.

Deixo-me ao relento
e recebo do alto
um afago.

A natureza do tempo me comove;
paro de correr com os outros
que buscam abrigo
na pressa que se esconde da chuva.

Eu, não.
Prefiro dançar sob ela
e batizar minha alma.