Certo dia, estava eu a vagar pela estação subterrânea de metrô em meu sonho, um lugar escuro, opaco. O ruído metálico do atrito dos freios dos vagões com os trilhos zumbia uma canção pós-moderna do cotidiano.
À frente, vi uma porta de cor azul profundo. Em busca de ar, de um sopro de leveza, abri-a de uma só vez: um mundo se revelou luminoso do outro lado, uma paisagem ao entardecer, com folhas de outono em tons avermelhados.
Diante de mim havia uma pequena árvore, com o tronco caído ao chão, voltada para um lago cristalino. Nele estava sentado um rapaz branco, de cabelos e barba ruivos, usando um chapéu de palha.
Toda a cena era uma pintura a óleo, com leves movimentos do soprar do vento, como pinceladas vivas. Ele era Van Gogh, e eu o admirava de longe, aquele homem cujos olhos se perdiam no horizonte da tela de sua própria pintura.
Um arquétipo sublime do inconsciente coletivo adentrou meu espaço psíquico pessoal para me lembrar da beleza do mundo.
Deixei meus estágios psíquicos moverem-se naturalmente, feito placas tectônicas que se ajustam ao movimento da Terra, e mergulhei para despertar de um sono profundo, como um artista que contempla a própria criação e nela se revela.