sábado, novembro 15, 2025

A Caminho de Casa

Sinta aquilo que é realmente seu.
Não as projeções, ilusões, idealizações, frustrações, decepções.
Respire apenas o que lhe pertence, o que lhe cabe, o que é.

Ser quem sou parece distante quando mergulho no coletivo das ideias.
Por anos, inúmeros personagens dançaram em um baile de máscaras.
E, por trás delas, havia um ser desejoso de ser visto e reconhecido.

Buscou incessantemente a aprovação alheia.
Subiu montes para ser lembrado.
Foi notado, mas ao custo do esquecimento de si mesmo.
Agora se pergunta pelo sentido.

A própria palavra sentido fala da permissão de sentir.
Mas, ao tocá-la, encontrou um vazio silencioso.

E então, os olhos que tanto procuraram outros olhos
voltam-se para dentro.
Lançam suas flechas contra os próprios portões fechados,
tentando enxergar, através do espelho do outro,
a si mesmo como nunca antes ousou ver.

Deixo de viver no exílio de mim, como estrangeira em território alheio,
e volto para casa.