Sinta aquilo que é realmente seu.
Não as projeções, ilusões, idealizações, frustrações, decepções.
Respire apenas o que lhe pertence, o que lhe cabe, o que é.
Por anos, inúmeros personagens dançaram em um baile de máscaras.
E, por trás delas, havia um ser desejoso de ser visto e reconhecido.
Buscou incessantemente a aprovação alheia.
Subiu montes para ser lembrado.
Foi notado, mas ao custo do esquecimento de si mesmo.
Agora se pergunta pelo sentido.
A própria palavra sentido fala da permissão de sentir.
Mas, ao tocá-la, encontrou um vazio silencioso.
E então, os olhos que tanto procuraram outros olhos
voltam-se para dentro.
Lançam suas flechas contra os próprios portões fechados,
tentando enxergar, através do espelho do outro,
a si mesmo como nunca antes ousou ver.
Deixo de viver no exílio de mim, como estrangeira em território alheio,
e volto para casa.