Muito cuidado com os vínculos que escolhe,
com as vozes que decide escutar.
Você já se perguntou, com sinceridade,
de que lado está?
Vivemos na superfície das coisas,
arrastados por narrativas que aceitamos
sem jamais questionar.
Chamamos de caos o que talvez seja apenas
um quebra-cabeças oculto,
um desenho maior
que nos atrai e nos domina.
Por que nos sentimos atraídos
justamente pelo que nos fere?
A ferida que ainda sangra
e que não sabemos curar
é também a que nos prende.
Nossa energia é alimento.
A quem você escolhe nutrir?
Ao que fortalece ou ao que enfraquece?
Toda vez que se rende à narrativa do medo,
entrega seu poder a algo fora de si.
Toda vez que toma as rédeas de sua história,
recupera a força que lhe pertence.
Todas as vezes que escolho acreditar e seguir
aquilo que me tira as forças,
viro as costas para mim mesma
e acabo nutrindo justamente o que acredito combater,
relegando-me ao papel de vítima das circunstâncias
que me aprisionam e me lançam à miséria.
Ao agir assim, minha fundação se desfaz
e a casa desaba em ruínas.
Mas as ruínas não devem provocar desespero:
são a abertura para que algo verdadeiro floresça.
A reconstrução sobre novas bases não acontece de imediato,
nem se impõe pela violência ou pela força,
mas pela suavidade e pela assimilação gradual.
É preciso permitir que esse algo amadureça dentro de mim,
deixando que as camadas que já não servem
se desprendam naturalmente.
Para poder oferecer,
é necessário também aprender a receber.
Então eu lhe pergunto outra vez:
ao que você se alinha?
À escassez, ao pânico, à impotência e manipulação?
Ou à paz, à potência, ao poder que é só seu?
A escolha não é um partido,
nem uma bandeira.
A escolha é o que você perpetua.
Você é arauto do medo
ou mensageiro da força?