quarta-feira, julho 02, 2025

Marcha dos desejos

Qual o rumo de nossos desejos?
O desejo de reinar, de imperar, de ser soberano não é, por si só, ruim, nem denota soberba. Quando voltado para si mesmo, deixa de ser uma arma apontada para o outro e torna-se espelho da alma.
Chega como a chuva fina que amacia a terra. Não força, mas penetra fundo.
Sussurra que é hora de dizer "sim" com o coração inteiro, e "não" sem culpa.
É tempo de olhar para dentro, reunir as forças dispersas, reconhecer seus próprios recursos e colocá-los em movimento, com direção, sem pressa e sem fuga.
Quem já desertou de si pode agora retornar. Com coragem, não mais com medo.
Não vire as costas. Avance em seu próprio ritmo. Mantenha-se em marcha, mesmo que o passo seja pequeno.
Vá. Siga munido de si.
Mas não grite sua verdade a quem está surdo.
Não se apresse em se abrir a quem não demonstra maturidade ou escuta genuína.
Você pode estar emocionalmente pronto, mas o outro precisa ter estrutura para acolher o que vem de você. Escolha sabiamente suas parcerias e as batalhas que realmente valem o esforço.
Ofereça amor não porque te falte algo, mas porque há algo demais aí dentro, algo bonito, ardente, pulsante, que ao encontrar no outro um espaço, apenas pousa.