sexta-feira, junho 13, 2025

Você que em mim habita

A parceria mais honesta que podemos firmar é com nós mesmos. Não é a única, mas é a principal e nela reside a base da expansão da consciência.

Esse movimento não é uma fuga para fora, mas um retorno para dentro. Ao abrir espaços internos antes ignorados, deixamos de ser cegos de nós para, então, enxergar o outro sem projetar nossas carências.

Partimos de nós em direção ao mundo, moldados pela teia coletiva. Mas à medida que vivemos e refletimos, iniciamos o caminho de volta — árduo, mas inevitável para quem desperta como autor e ator no palco da vida.

Na busca, que é já o encontro, misturamos olhares, nos reconhecemos no outro e permitimos que ele habite os espaços que abrimos em nós. Atravessamos juntos as camadas que nos formam.

O outro entra como um eco da nossa consciência, trazendo à tona o que estava submerso. Meu olhar encontra o seu no espelho da humanidade e juntos, seguimos, lado a lado.

Podemos habitar, por instantes, as histórias uns dos outros, sem nos perder nelas, apenas fluindo no rio da vida, em comunhão entre consciências. Compreendemos, então, que toda realidade nasce do olhar que a observa e que nenhuma visão é definitiva.

A percepção se expande como eco interior, revelando o invisível. São lentes, espelhos, amplificadores da consciência.

Eu sou você que em mim habita. E me reconheço quando experimento você. Caminhamos juntos: você, ao se revelar; eu, ao responder.
Você é você, mesmo sendo eu.