terça-feira, junho 24, 2025

Travessia

O questionamento tornou-se meu estado de espírito quando optei por ver e rever os conteúdos das minhas crenças e ideias, padrões e comportamentos. Coloquei-me na posição de observadora de mim mesma, com os olhos voltados para dentro, buscando, em meu próprio espaço e arquivo, os meus sentidos.

Revisitei inúmeras vezes o mesmo cenário. Olhei por todos os ângulos possíveis, até mover algo que se encontrava imóvel dentro de mim — revelando a transformação que expande o horizonte, dentro daquilo que antes me parecia um labirinto, um fim em si.

Passei pelos mesmos caminhos de sempre, acomodada ao olhar habitual. E foi desses caminhos que extraí a novidade do meu próprio olhar. Nada mais me pareceu familiar. Tudo oscilava entre o estranho e o conhecido. Foi então que me vi atravessando para o outro lado da margem.

Não me parece existir um “finalmente chegar”, “definitivamente alcançar”, “eternamente ser” — mas, sim, um fluir. Como as águas de um rio, seguimos num rumar natural pelos lugares por onde passamos, somos tocados e tocamos.