Visto-me daquilo que me assombra,
acreditando que, assim, estarei a salvo do predador que afirmo ser.
Estou acuado,
à procura de salvação,
sem em nada encontrar amparo
além de mim, tão fraco.
Visto-me de algoz,
me apresento invencível.
Torno-me o veneno que me dão de beber,
para evitar a morte,
para evitar a queda.
Afirmo ser tudo aquilo que me ameaça,
me torno as sombras que me seguem
e me asseguram.
Sou eu mesmo:
meu objeto de medo e repulsa.
Estou como um cão que persegue o próprio rabo,
sem nunca alcançá-lo.
Na ilusão de controle,
abandono, por completo, quem sou —
e me entrego, rendido,
ao que fiz de mim.