O ar que respiro
não se vê,
não se toca.
Ele passa e sequer o notamos,
sem alarde —
presença que sustenta
tudo o que vive.
Instantes sem ele
e o corpo se curva,
em agonia de morte,
privado do sopro.
É cômico
e trágico
que o essencial
seja invisível aos olhos.
Mas ele não reclama.
Não exige gratidão,
nem plateia.
Paira.
Flui.
Entrega-se inteiro
a cada peito que o acolhe.
Está em tudo,
e em todo lugar.
Não conhece muros.
Não pertence a ninguém.
Sopro antigo,
sopro primeiro.
Por ele viaja o som
da melodia que nos compõe.
Sopro divino,
espírito do mundo.