O movimento mais revolucionário que uma pessoa pode empreender é a transformação do seu cenário interno. Mais do que levantar bandeiras e defender grandes causas externas, é o ato de olhar-se no espelho à procura de sua própria verdade, mover-se rumo a si mesmo, em busca de solo fértil, de seu espelho d'água, isento da contaminação externa que borbulha em caminhos equivocados e herdados, ávidos por nada.
Esse avanço desbravador pelas próprias terras demanda a coragem de confrontar narrativas impostas, sempre firmadas sobre os mesmos papéis: oprimido e opressor, vítima e algoz, num eterno dualismo em que forças opostas se anulam mutuamente. Esse olhar, que se projeta para fora, mergulha na ilusão de uma solução que está sempre além, distante, afastada da realidade última: nós mesmos.