A noite é o cenário onde vagam meus olhos.
Meus passos sós ecoam pensamentos compassados.
Caminho sob o ritmo da batida seca do sapato sobre o asfalto, de onde emana o brilho artificial das luzes dos postes e faróis dos carros, contraste com o negro noturno: cor sobre a pálida solidão.
De longe, sopra uma brisa suave em meu rosto, trazendo consigo uma melodia distante, introdução à partitura, do trompete chorando no vazio da noite.
O toque intimista me chama a encontrá-lo na próxima esquina.
O homem e seu instrumento — um só ser.
Do objeto içado ao toque dos lábios brota a harmonia do fôlego humano: sopro criativo, improviso sobre essa realidade forjada que sufoca.
Sigo o som harmônico e rítmico da liberdade inventiva, desligando-me dos grilhões coletivos, conectando-me à melodia íntima da improvisação: espontânea, única e irrepetível — própria de um homem humano.
Deixo ir e tocar o jazz da alma que performa na noite, na solitude.
Conduzo e me deixo conduzir pelo fluxo musical deste ato da vida.