Acima, o céu: o éter.
Abaixo, o movimento: o trovão que irrompe em lampejo.
Quem segue o fluxo natural torna-se autêntico, sincero.
A sinceridade mora no agir, não apenas na ideia.
Ele surge — súbito —, vestido do
inesperado,
carregando a inocência que nos devolve ao estado original.
A batida primordial do coração anuncia: boa fortuna.
O movimento criativo tem valor em
si,
não no olhar que calcula resultados.
A realidade imposta, viciada em métricas,
corre contrária ao fluxo natural.
O plantio, a rega, o cuidado
paciente
são soterrados pelo ímpeto e pelos artifícios apressados.
Tudo se mede em relação ao que está fora:
pura ilusão de controle.
A via se estreita, perdendo-se em
becos de possibilidades vazias,
falsas promessas.
Dos bueiros sobem gases tóxicos;
vê-se gente zonza, inebriada — recipientes vazios.
As sementes tornaram-se estéreis.
O trabalho, infértil.
O peso dos corpos rachou ao meio
o espírito que anima.