domingo, junho 08, 2025

Irrompe o inesperado

Acima, o céu: o éter.
Abaixo, o movimento: o trovão que irrompe em lampejo.
Quem segue o fluxo natural torna-se autêntico, sincero.
A sinceridade mora no agir, não apenas na ideia.

Ele surge — súbito —, vestido do inesperado,
carregando a inocência que nos devolve ao estado original.
A batida primordial do coração anuncia: boa fortuna.

O movimento criativo tem valor em si,
não no olhar que calcula resultados.
A realidade imposta, viciada em métricas,
corre contrária ao fluxo natural.

O plantio, a rega, o cuidado paciente
são soterrados pelo ímpeto e pelos artifícios apressados.
Tudo se mede em relação ao que está fora:
pura ilusão de controle.

A via se estreita, perdendo-se em becos de possibilidades vazias,
falsas promessas.

Dos bueiros sobem gases tóxicos;
vê-se gente zonza, inebriada — recipientes vazios.

As sementes tornaram-se estéreis.
O trabalho, infértil.
O peso dos corpos rachou ao meio
o espírito que anima.