Toda e qualquer fala que eu traga em meu peito,
gestada no calor da minha alma,
virá à superfície carregada de minha própria história,
permeada pela herança linguística
que comungo através da língua portuguesa.
Minha língua é um rio fecundo,
que verte palavras e expressões
repletas de narrativas ancestrais,
navegando pelo tempo,
desenhando o contorno da minha realidade
e do meu olhar.
Minhas palavras brotam no solo fértil da língua portuguesa,
rica em nuances que se mesclam de um continente a outro,
traduzindo em som e ritmo
as dores e as alegrias de povos
que partilham de uma mesma melodia
e musicalidade ao se expressar.
São ondas sonoras
que unem almas distintas
e, ao mesmo tempo, similares,
cúmplices do inefável espírito que comunica.
Como o pescador que lança sua rede ao mar
na captura de peixes para nutrição e sustento,
envolve-nos a todos uma mesma música:
o português.
E, caso minha canção chegue aos teus ouvidos,
saiba que nela está o meu sentir,
condensado em palavras
pela língua que carrego como mãe.
Minha língua é a carruagem que transporta o espírito,
em estado de suspensão,
à ação traduzida em símbolo de identidade.