quarta-feira, junho 25, 2025

Cultivo de si

Não sou apenas minha cabeça. Sou meu corpo inteiro.
Não sou só coração. Sou razão e alma inteira.
Sou algo como uma erva daninha que insiste em crescer entre as pedras.
Inspiro-me na humanidade. Sinto-me dentro e fora dela. Vivo como o vento, que empurra e puxa.

Todas as minhas falas partem de dentro, pois meus olhos só enxergam o lugar de onde falo. O que não veem, para eles, não existe.
Se expresso uma dor, é porque a sinto na carne. Crio a partir da minha própria experiência, e a mais profunda delas é a experiência de mim mesma.

Vivemos todos em busca de nos relacionarmos com o outro: no amor, na amizade, na família, na sociedade.
Mas e conosco?
Quem se relaciona consigo?
Quem busca se conhecer, se questionar, entender o que corre no âmago de si?

Quem se dá ao trabalho de lapidar-se, espelhar-se, cultivar suas sementes, nutrir-se de suas próprias águas, colher o fruto maduro de si?

De mim emana a realidade que me cerca. Que outro caminho poderia eu trilhar senão aquele que conduz de volta a mim?

Não há como escapar de mim. A cada fuga, afasto-me ainda mais da minha essência, quando a nego, quando me escondo no vazio da não existência, disfarçada em um ser que não sou.

As mil vozes que lá fora falam são apenas aquelas que me permito ouvir.