A imaginação é um castelo de cartas
por entre as pirâmides de sua estrutura
equilibram-se as ilusões
Cartas dispostas em formato de A
pontas voltadas para o céu
simetria arquitetada por projeções assimétricas da mente
prontas para atirar
A estabilidade depende sempre
da disposição
e da inclinação
Mira incerta, tendenciosa
à mercê do que escapa
como o vento a derrubar
os cálices da ilusão
O entendimento me chega como um raio
que irrompe no céu noturno
extraindo a verdade num estalo
estampido que faz o coração
palpitar em sobressalto
O clarão cega e confunde
temporariamente
os olhos ajustados às sombras
retraindo as pupilas
como se pudessem escapar
do desconforto da luz
Por um segundo
mergulho no branco alvo do brilho repentino
e vejo, em assombro
meu verdadeiro tamanho
Permaneci tempo demais
nas demoradas formalidades
as que precedem o casamento das partes
que me constituem num todo de mim
Assim tomo consciência do transitório
à luz da eternidade do fim