Na ânsia de entender o choro,
procurei o formato exato das lágrimas:
sua origem fisiológica,
desencadeada por razões que a razão não alcança,
classificadas em funções, divididas em moldes.
Mas o pranto
pertence ao terreno da não-fisicalidade,
à invisibilidade que deságua em materialidade.
Para tudo, há de se ter um porquê —
uma tentativa de encaixar o éter das emoções
nas caixas do intelecto,
mensurar o indizível, torná-lo tangível.
Tentando entender,
perdi o tino para sentir.