segunda-feira, maio 05, 2025

O silêncio da origem

Quando tudo começou,
foi preciso ficar em silêncio.
A vida, em ameaça de morte,
se escondia em cada célula
que se dividia em alerta,
multiplicando o medo e a esperança.

A estrutura do DNA —
frágil, sonhada — temia ruir
antes mesmo de estar pronta.
O castelo temia ruir,
ser invadido, exterminado,
a qualquer momento.

Mas o tempo passou.
O destino se cumpriu.
A vida prosperou:
deu à luz,
brotou.

Assim foi o início.
A jornada começou —
entre passos e tropeços,
lágrimas e sorrisos —,
e o mundo se desnudou
diante de olhos estreitos,
curiosos.

Verdades se revelaram,
caminhos se abriram,
desvios aconteceram,
retornos se deram.

Toda luz, toda expansão,
guiadas pela sede de saber,
trouxeram o caminho de volta:
para dentro.
Para o silêncio.
Para o vazio.

Desconhecido.
Escuro.
Presença de nada,
além de si mesma.

Somente o som da respiração,
o pulsar do coração —
como quem bate um tambor.

E então,
escapou uma faísca.
Acendeu-se uma lanterna
na vastidão imensa
desse universo
infinito
por explorar.