A poesia me atravessa como quem volta
para casa.
Entendo: a mágica das palavras não é me
levar para longe,
mas me devolver ao centro, ao calor do
pertencimento,
ao lugar onde todos os sonhos se
assentam; neles, e deles, faço parte.
E, ao emergir do poço, com o balde
cheio,
volto à rua, ao dia,
sabendo que a poesia me ensinou a não
negar o vazio,
mas a habitá-lo, com ternura e espanto.