Meu mundo interno
é permeado por antagonismos —
espaços vazios e silenciosos,
terrenos povoados e barulhentos.
Não é feito apenas
de santuários pacíficos,
perfumados de incenso;
há também o cheiro do sangue pisado,
porque caminho
sobre minhas próprias feridas.
A busca sincera
atravessa o contraste —
não a harmonia forçada.
Os gritos que ecoam de dentro
não podem ser abafados
em nome de um equilíbrio
moldado por uma falsa paz interior.
Aqui há paz
e há guerra.
Luz e sombra.
Choro e riso.
Grito e sussurro.
O cântico das oposições
vive aqui.
Minhas palavras
são um caldeirão
onde fervem dores e amores,
sombras e luz.
Ali, o coração
cozinha as vivências,
transformando-as em alimento —
que nutre,
serve
e revela:
a mim,
e a quem desejar
desfrutar deste banquete.