terça-feira, maio 27, 2025

A mordida do transcendente

O transcendente me habita como quem morde,
quebrando com firmeza o que me paralisa.
Rasga véus, desfaz nós,
rompe bloqueios
que, silenciosos, me impedem de seguir.
 
Sussurra:
— Cuidado com o excesso,
não te firas ao tentar ferir o que te prende.
A mordida precisa ser precisa, justa, necessária.
 
E então, após o estalo do que se quebra,
vem o alívio, e a fome revelada.
 
— Do que te alimentas agora?
— O que te nutre, após romper as cascas e os elos?
 
Aprendo que a força não é apenas a de romper,
mas, sobretudo, a de ensinar a escolher o alimento certo,
a nutrir minha essência com aquilo que me sustenta e me faz crescer.
 
O transcendente me move:
da ruptura ao cuidado,
da dureza à suavidade,
da fome à sabedoria.
 
Me sacio na oferta de luz à consciência.