O transcendente me habita como quem
morde,
quebrando com firmeza o que me paralisa.
Rasga véus, desfaz nós,
rompe bloqueios
que, silenciosos, me impedem de seguir.
Sussurra:
— Cuidado com o excesso,
não te firas ao tentar ferir o que te
prende.
A mordida precisa ser precisa, justa,
necessária.
E então, após o estalo do que se quebra,
vem o alívio, e a fome revelada.
— Do que te alimentas agora?
— O que te nutre, após romper as cascas
e os elos?
Aprendo que a força não é apenas a de
romper,
mas, sobretudo, a de ensinar a escolher
o alimento certo,
a nutrir minha essência com aquilo que
me sustenta e me faz crescer.
O transcendente me move:
da ruptura ao cuidado,
da dureza à suavidade,
da fome à sabedoria.
Me sacio na oferta de luz à consciência.