O livro não é corpo imaculado,
é matéria bruta, viva.
Em suas linhas,
corre o sumo vital das ideias.
Beber dele,
saciar nele a sede de conhecer,
movimenta a correnteza do ser.
Cada página virada
traz a essência de uma transição:
início, meio e fim —
marcos de uma travessia
que se desnuda sob o olhar
de quem do livro se apropria.
Ele guia uma jornada única
para cada um que se conecta
e se acende,
ativando a corrente elétrica
que gera iluminação.
Traz luz à consciência
e nos mergulha em transformação.
Se o livro me marca,
por que não haveria eu de marcá-lo?
Deixar os rastros da minha leitura
riscos, anotações, marcações,
cores e dobras nas páginas lidas.
O livro é livre
para ser o que quiser
nas mãos de quem o lê.