quarta-feira, abril 16, 2025

Linhas sem Margem

Encontro inúmeras portas por abrir.
Sinto-as como tudo e qualquer coisa.

Atravesso o inconsciente,
enquanto a consciência
permanece à soleira.

Guardo no peito
um pacto silencioso
entre as instâncias.

Não me aproprio de nada.
Seria a travessia
uma brincadeira?

Ciranda de roda,
gato e rato —
símbolos que sobem
do fundo à superfície.

A consciência recolhe, decifra.
Escrever é escavar o Self
com palavras.

Mergulhos se tornam linguagem,
ponte entre partes,
fragmentos,
corpo sem molde.

Dança com o invisível,
fio condutor,
circulação de fluido vital,
átomos à deriva.

Sou eu:
linhas sem margem.