Almas silentes
caminham caladas,
alheias,
indiferentes,
interiorizadas.
Pairam sobre as coisas
como fantasmas —
etéreas,
alinhadas
à sombra projetada dos objetos.
Amam todas as coisas em segredo,
como quem se esconde do sol
como quem se esconde do sol
nas encostas,
fugindo do calor.
Rochas —
sustentam vidas
que desejam prover.
Mas rochas não alimentam.
Não frutificam.
Mutismo petrificado.
Inertes.
Inativas.
Sentem dores em sigilo.
Quietude enganosa.
No cerne,
magma a queimar.
No fundo,
pedras preciosas,
silenciosas.