quarta-feira, abril 16, 2025

Almas silentes

Almas silentes
caminham caladas,
alheias,
indiferentes,
interiorizadas.

Pairam sobre as coisas
como fantasmas —
etéreas,
alinhadas
à sombra projetada dos objetos.

Amam todas as coisas em segredo,
como quem se esconde do sol
nas encostas,
fugindo do calor.

Rochas —
sustentam vidas
que desejam prover.
Mas rochas não alimentam.
Não frutificam.

Mutismo petrificado.
Inertes.
Inativas.

Sentem dores em sigilo.
Quietude enganosa.

No cerne,
magma a queimar.
No fundo,
pedras preciosas,
silenciosas.