quarta-feira, abril 12, 2006

Os campos são verdes com ou sem Absinto

Primeiro, a bebida.
Dela, um sabor meio amargo na língua, uma dormência nos lábios, um perfume no hálito, uma leveza no corpo.
Pequenos voos, pensamentos vazios, o tempo parado e perdido, verdades roubadas, queda livre e a perda de si.

Seria a fada verde? Não saberia dizer.

Se alguém nos chama, não ouvimos; e, se ouvimos, certamente não é a verdade.

Vamos por ali, onde os campos são livres e verdes, vazios e frescos. Vamos até lá.
Vamos correr até cair, até perdermos o fôlego e nos curvarmos.

Com ou sem a fada, com ou sem a bebida lúdica, com ou sem loucura, os campos lisos permanecem onde estão.
Eles esperam por pés que os toquem, por aqueles que corram sobre seu verde, que se curvem e caiam de cansaço e depois se levantem, livres e leves, para correr uma vez mais.

Os campos estão lá, à sua espera, e você está à espera das aventuras que eles propõem.

Aguarda-te o silêncio do verde, e o verde aguarda teus gritos e suspiros em busca de liberdade.
Eles modificam nosso olhar, mesmo que recaia sobre as mesmas coisas de sempre.
Oferecem o que você quiser, e você, o que oferece a eles?

Eles não desistem de você, embora você desista deles.
Não podem esperar mais nenhum segundo sequer, mas ainda assim esperam.